quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

um dia as pessoas morrem na gente

É isto, nada além: um dia as pessoas morrem na gente. Pode ser um amigo que parece não se importar mais ou então aquele que telefona só quando quer ajuda, um amor que gastou todas as chances que tinha e nem toda dedicação do mundo comoveu, um primo de longe, qualquer um. Pode ser a criança que um dia morou dentro da gente, o sujeito que viajou pra longe sem dar adeus ou dizer que ia ou o visitante que chegou e nem ao menos um oi. Um dia as pessoas morrem na gente. Pode ser um dia qualquer, como hoje ou ontem ou a terça passada, um dia de agosto ou no meio do carnaval, um dia de formatura ou até no ano novo, um dia de vento sul ou calor dos infernos, de vestido curto ou jeans surrado, de boca nervosa ou falta de apetite, de cabelo desgrenhado ou os cachos no lugar. Um dia as pessoas simplesmente morrem na gente, e a gente esquece as tardes divertidas que passou no boteco, a esperança que alimenta quando ainda não viveu muito, a promessa de nunca esquecer; a gente esquece que um dia quis ficar junto pra sempre, que jurou um monte de coisas, que registrou em fotografias uma penca de momentos bonitos, que acreditou em tudo ou, exatamente como o Chico ensinou naquela canção, que ajeitou o nosso caminho pra encostar no caminho do outro. A gente faz força pra esquecer, porque sabe que precisa. A gente faz força pra esquecer, porque sabe que precisa. É isto, nada além: um dia as pessoas morrem na gente, embora continuem vivinhas da silva.

(https://analauranahas.wordpress.com/2010/09/05/um-dia-as-pessoas-morrem-na-gente/)
let's go back to business

domingo, 11 de outubro de 2015

pensamentos corriqueiros de um domingo a noite

eu pensei que finalmente tinha largado disso, mas ela fica rondando pra sempre me lembrar "ó, to por aqui viu? não te esqueci e o principal: não deixei você esquecer de mim". achei que, por fim, estava sozinha, que a onda de boas energias havia caído amorosamente nos meus braços e estava até então me beijando sem cansar. determinei começos e fins, e disse adeus pra nunca mais voltar. recebi de sorriso aberto o novo. mas eu não sou a mesma. não sou a melhor rafaela que você pode receber. eu to com você: durmo, saio, beijo, transo com você. mas em domingos melancólicos como esse, sempre me perco na minha cabeça. vivo em guerra. o conflito sempre me acompanha. na minha mente acontecem explosões e mais explosões de energia cósmica, pensamentos bons e ruins. desço mais degraus com o objetivo de ir a fundo, quando só o que eu queria era viver na superfície. não ligar tanto para sentimentos. não ser tão sentimentos. não lembrar de tantas coisas. ser mais consistente. olhar pro seu sorriso e ter certeza de que o mereço. ficar por minutos te observando, pensando como seria muito mais calmo eu ser muito mais calma. se eu te perguntar se sou, você diz que sim. se estivesse onde estou, perceberia que é muito mais serenidade do que calma.
sou feita de caos.

sábado, 26 de setembro de 2015

Anjo da minha poesia. Vem que nem furacão. Mata o que há de ruim. Renasce e acorda. Parece que depois de muito tempo abri os olhos novamente. Estive num eterno desacordar de sentimentos. Vivendo entre o que existe e o que deixou de existir. Boiando nas nuvens como um barco largado por um marinheiro cansado de tentar. Desculpa minha estranheza, calor no coração é algo com que não venho convivendo há muito. Me deixei esquecer como era estar aquecida e borbulhante ao encostar meu rosto no seu e permitir minha voz passear pela sua pele. Nunca esteve tão certa como antes. Te dou toda a razão.

(tava largado nos rascunhos, mas achei tão bonito)

segunda-feira, 27 de abril de 2015

O pior 1/4 de sonho que já tive na minha vida

No banheiro, alterada, na sacola preta pego a garrafa pra encher com água. Meus olhos com muita dificuldade se mantém abertos. "Tenho que parar com isso. Vulnerabilidade consciente não é do meu feitio". Tomada a decisão, me viro pro espelho ao meu lado esquerdo pra me olhar nos olhos e fincar minha palavra, e vejo meu reflexo que não me mostra com a sacola preta e a garrafa na mão. Um flash: eu, de rosto virado, braços na vertical, recusando a me ver naquele estado. Penso que por um momento me decepcionei muito comigo mesma. Meu corpo cai em câmera lenta com muita dor. Nos olhos, o horror me invade. Minha boca aberta para gritar em oitenta decibéis, mas nenhum som sai. Vejo gente passando pela porta e não consigo me redimir por um socorro. Estou presa no terror da negação, com a cabeça no chão, os músculos contraem e, nem mesmo o que é meu me é obediente.
Entre o dormir e acordar, vi que era um sonho. Um sonho que me disse o que fazer, me mostrou o quão perdida estava. O recado foi dado. Nada mais há o que fazer agora do que me purificar.

domingo, 26 de abril de 2015

estou sentindo uma sede desconhecida.
a falta que me move, me move.
a vontade de ver o que não existe aqui nessa cidade.
essa cidade que tanto me machuca, que tanto é preenchida por mais e mais corpos que não sabem se tocar, não se cuidam, muito se destratam, muito se envenenam.
quero ouvir o que o mar tem pra me dizer.
por que o sol, tão insistente, faz questão em não deixar um só de fora.
não quero me isentar desse direito de ser, sentir e agradecer.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Seu discurso libertário acho que não faz mais sentido.
Você tenta, sem êxito, provar que pode fazer o que quiser mas acaba sempre caindo em sua própria armadilha. Não aguenta passar por tudo o que profere.
Uma, duas ou até três vezes é bom. Frio na barriga. Cheiro de perigo. Romance esquecido. Dá um gostinho de fazer. No final, pra quê? Não tem coragem nem de encarar seu tal sem lembrar do esquecido.