quarta-feira, 10 de julho de 2013


O quanto é gostoso dormir ouvindo música e ver ela conduzindo seus sonhos. Seja nos sonhos da cabeça ou nos sonhos do chão. "Você não tem nada seu? Pois, deveria! Manda pra rádio. Vai pro Raul Gil. Se candidata no The Voice!". Mas gente, eu gosto tanto de cantar pra vocês aqui do bairro que não pagam pra me ver, e ainda tomam uma cerveja a seis reais num lugar gostoso que dá pra você encontrar todo mundo da quebrada! E não se preocupem porque eu guardo todos os pedidos num cantinho especial da minha casa pra aprender e tocar pra vocês depois. E, mãe, pode deixar que eu vou estudar porque eu funciono muito mais com um violão na mão do que com uma vassoura. E menina, você me dá tanto orgulho!

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Penso que não queria tatuar em mim nem frases e muito menos desenhos.
Mas sim músicas. Muitas músicas. As mais bonitas.
Porque na minha cabeça não são todas que tem um longo prazo de validade.
Então, pensei que se elas impregnassem na minha pele, talvez não iria nunca mais esquecê-las.
E agora, diante de tanto estudo sobre o porque música existe, qual a finalidade espiritual e sentimental.. Eu só consigo descartar dezenas de músicas que não condizem com esse novo princípio.
Quando houver uma casa nova pra mim, vai existir um canto, um cantinho simpático e gostoso. É nele que eu vou deitar de cabeça pra baixo, e ficar olhando tudo ao contrário, deixando o sangue me largar a cabeça cheia, pensando o quanto é bonito tudo o que eu to ouvindo. E experimentar cada sensação quando me chega o êxtase da canção. Dure três minutos ou trinta.
Eu gosto do conciso. Mas chega um momento que quanto mais progressivo, quanto mais sem pressa for, melhor.
Faria do meu corpo uma grande caixa de músicas. E ficaria dentro de mim mesma, tentando entender qual a razão de tudo isso ser tão bonito. Lindo. Como já vi tantos sóis se pondo. Como também já vi tantos outros se levantando.
Nunca parei pra expor toda essa minha vontade. Eu só fico pensando, maquinando, divagando, o quanto, pela terceira e não última vez, tudo é tão bonito. O quanto eu me apaixono por notas quebradas e cheias de nonas e sextas. Uma guitarra de jazz subindo e descendo nos seus degraus. Um contrabaixo brincando no seu braço não demarcado, seja com varinha ou não. As teclas batendo nas cordas dando entonação a um piano. Os tambores. Ah! Os tambores! Colados nos seus primos-irmãos pratos. Queria tanto encher um sala inteirinha só dessas maravilhas. Fazê-los todos parte de mim. Ou me fazer parte deles. Ou sermos todos juntos, juntinhos, uma única parte.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Melissa

Todo domingo era missa. Todo feriado religioso era missa. E toda missa tinha ela. Tinha ela e eu com meus oito anos de idade já com o coração saltando pela boca. Me sentava no primeiro banco da terceira fileira da esquerda pra direita no último canto possível. Meus únicos dois focos eram a banda que tocava e a coroinha que sempre estava ao lado do padre.
Olhava pra banda e ficava encantada com aquele parque de diversões. Mirava a coroinha e meu pulso passava das duzentas batidas por minuto. Achava ela muito bonita. Tinha vontade de cair nos braços dela, e ficar conversando sobre a vida, sobre os sentimentos e sobre minhas dúvidas durante horas. Dúvidas que naquela época eu encarava mais como algo corriqueiro. Coisa de criança achar que não existem tantas regras exacerbadas que nos impedem de fazer coisas que gostamos. Mas, eu olhava o máximo que pudia e esperava um olhar de resposta. E quando ele vinha, meu amor, me arrepiava dos pés a cabeça e qualquer som que acontecia no momento entrava num estado infinito de reverberação. Me satisfazia com um pequeno passar de olhares pelos meus.
Pausa. Suspensa no ar. Como uma música do Donny Hathaway. Estava me apaixonando pela primeira vez sem nem saber o que era isso. Só descobri após alguns anos em muitas das minhas reflexões diárias sobre amor e paixão. Aquele frio na barriga me atacou pela primeira vez quando tinha oito anos. Eram só oito anos e eu ainda gostava de me sujar pela rua. Que deselegância e falta de respeito me sabotar assim.
Nunca descobri o nome dela. Menina branca de cabelo liso e preto. Olhos de gato. Tinha rosto e corpo de Melissa. E tinha o poder de roubar toda minha atenção. Me sentia uma aventureira por estar mergulhando num romance mal entendido como aquele. Num romance que mal sabia como era a voz dela ou o que ela fazia nas tardes em que eu (como sempre) me recusava a fazer as lições de casa.
Agradeço de todo meu coração por ela ter me oferecido aquelas sensações que eu mais tarde viria a sentir outras vezes. Acho que se não fosse por ela...

terça-feira, 28 de maio de 2013



 


"quando talvez precisar de mim, cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim."

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Estou ficando cada vez mais burra. Entrando de cabeça em um mundo que não exige muito do meu cérebro. Só exige euforia e mais euforia. E minhas reflexões? Só são exigidas quando estou na ida-volta da faculdade, quando minhas principais preocupações é a integração do bilhete único para sobrar mais uma passagem, qual o melhor lugar pra sentar, quem está ou vai ficar do meu lado, se está calor, quais são os caminhos do vento para eles chegarem até a mim? E depois de todas essas questões resolvidas, paro pra pensar na vida. Você embaixo do chuveiro pensa na vida. Eu dentro de um ônibus cheio penso na vida.
Me lembro que toda sexta feira a noite vou tocar num bar. Arrumo meu som, afino o violão, me sento no banquinho e começo meu show. Uma vez cantei "Como Nossos Pais" e um arrepio foi percorrendo meu corpo dos pés a cabeça, até chegar em meus olhos e eu explodir diante da minha pequena plateia. Não estou ficando tão burra quando canto várias horas seguidas até nem conseguir falar direito depois. Esse é meu ponto de profundidade. 
Todos os dias da semana fico refletindo no ônibus para chegar na sexta feira e me enfiar com todos esses pensamentos num cantinho escuro e me encontrar.

domingo, 28 de abril de 2013

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Tanta coisa pra fazer que eu nem consigo achar um tempinho pra viver direito.